builderall

? por Ana Paula de Souza ? Caminho da Alma


Há quem pense que procurar terapia é sinal de queda e fraqueza.

Mas o que se revela ali é o contrário: é o instante em que alguém, cansado de sustentar o disfarce da força, decide finalmente se ver.


E ver-se, com tudo o que há ? o claro e o escuro, o belo e o contraditório ? é um dos gestos mais corajosos que um ser humano pode fazer.

A fraqueza foge do espelho.

A coragem se senta diante dele.



? O Mito da Força


Vivemos em uma cultura que exalta o autocontrole e confunde resistência com saúde emocional.

Ser forte passou a significar ?não sentir demais?, ?não demonstrar?, ?não precisar de ajuda?.

Mas o preço dessa armadura é alto: o corpo se cala, o afeto adoece e o ser se perde de si.


Brené Brown, pesquisadora da vulnerabilidade, diz que ?coragem não é ausência de medo, é decisão de aparecer mesmo com medo.?

Na terapia, aparecer é desnudar-se: dizer ?não sei?, ?não aguento?, ?preciso?.

E esse reconhecimento é o primeiro passo para a cura.



? A Terapia como Encontro com a Verdade


Carl Rogers dizia que ?a curiosa contradição é que, quando me aceito como sou, posso mudar.?

A terapia é esse território da aceitação ? não para nos acomodar, mas para nos libertar da autoexigência que sufoca.


Ali, o que antes era vergonha torna-se humanidade.

O que era fraqueza se revela ternura.

O consultório é o lugar onde o ser reaprende a respirar em verdade.

E quando o choro vem, é porque o silêncio finalmente encontrou tradução.



? Vulnerabilidade é Força


Viktor Frankl escreveu que o ser humano não é movido pela busca de prazer, mas pela busca de sentido.

E é justamente no contato com a dor que o sentido se revela.


Quem se permite vulnerabilizar-se em terapia não está desistindo ? está dizendo: ?quero viver com verdade, não com aparência.?

A vulnerabilidade não é rendição; é presença.


É o ponto em que o controle cede e a vida volta a fluir.

Donald Winnicott chamaria isso de ?ser suficientemente real? ? o momento em que deixamos de representar e começamos, enfim, a existir.



? A Coragem de Continuar


Irvin Yalom, em suas obras sobre o encontro terapêutico, diz que ?a cura acontece entre duas presenças humanas.?


A terapia é essa travessia compartilhada: duas consciências em busca de sentido, caminhando lado a lado, sem hierarquia, sem pressa, com verdade.


Procurar terapia é escolher o caminho da presença.

É dizer: ?não quero mais sobreviver ? quero viver.?

E viver, de verdade, exige coragem: a coragem de olhar-se, de reconhecer-se e de continuar.



? Referências Bibliográficas




?

? ?Buscar terapia não é sinal de fraqueza, é um gesto de coragem e amor. É escolher se ver de verdade e permitir que a consciência cure o que o silêncio guardou.?


?A coragem não é o oposto da dor ? é a disposição de atravessá-la com consciência.?

? Ana Paula de Souza ? Caminho da Alma